quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Da janela do ônibus

Através do vidro embasado consigo de forma panorâmica enxergar todos os meus sonhos.
Alguns estão chegando, tomando uma perspectiva melhor, se aproximando. Outros vão ficando pra trás, ou ficam no mesmo lugar e só eu que continuo sempre em frente. Não sei, mais se for isso ainda bem.
Da janela do ônibus eu posso também pensar. Sobre o que ? Sobre tudo. Tudo que eu ainda não pensei, sonhar tudo que eu ainda não sonhei. Isso tudo antes que chegue o meu destino.
Mas o real problema é que ainda não sei pra onde vou, minha vida é uma viagem sofrida, com um destino incerto.
Choro em pensar em quem deixei, choro quando penso em como os deixei. O aperto do meu coração é grande, mais não quero pensar mais nisso. É engraçado que quando estamos sendo embalados por um chacoalhar de um ônibus, ficamos mais propício a pensar, a mente fica mais aberta, o pensamento voa....

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

A Espera....

Era tarde. Uma linda tarde de dezembro, em que por mais que o calor fizesse sua roupa colar a pele, era um dia feliz, E especial.
Clarice vestia um lindo vestido branco estampado com flores. Lembrara mais cedo que ele adorava flores silvestres. Ela o havia escolhido especialmente para a ocasião e com seus cabelos longos e negros cuidadosamente penteados em duas tranças, parecia uma menina que estava esperando ansiosa o passeio da tarde para comprar um sorvete.
A radiante felicidade não continha em seu pequeno rosto. Estava convicta que aquele dia era o melhor da sua vida, mal podia esperar para chegar logo ao local do encontro. E para a sua tristeza, mal podia imaginar o que a esperava.
Chegando ao ponto de encontro, que era o único banco em uma praça pouco movimentada na parte Sul da cidade, percebeu que ele não estava. –Cheguei cedo de mais- ela pensou.
E pacientemente ela esperou mais 1 hora....1 hora e meia....2 horas.....2 horas e meia.....CHEGA!
Como ele pode atrasar tanto? Pior, como ele pode faltar ao encontro mais importante e especial da vida dela?
Cuidadosamente ela enxugou as lágrimas que teimaram e escorreram sobre seu rosto, levantou-se e vagarosamente caminhou de volta pra casa.
Á um quarteirão de casa enquanto pensava em como o “Grande Amor da sua Vida” lhe prometera um pedido de casamento mais a deixou esperando num banco de praça, avistou um rapaz de pequena estatura correndo em sua direção. Era ele.
Em um súbito momento de alegria ela correu e se jogou em seus braços, porém depois, lembrou-se do fato de ter esperado por ele e ele não ter chegado.
Mais antes de ela lhe fazer qualquer reclamação, ele logo se apressou em dizer:
– Me perdoe meu amor, fiquei preso no transito e além do mais não podia comparecer ao nosso encontro sem uma coisa.
– O quê? –ela perguntou com os olhos cheios de lágrimas.
E ele ajoelhando-se no meio da rua-precisamente em frente a uma sorveteria- abriu uma caixinha de veludo e perguntou:
– Quer casar comigo ?